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Juiz de Fora tem um forte contingente de alemães
migrados no século XIX, através de Mariano Procópio, o visionário
que construiu a Estrada União Indústria (Juiz de Fora-Petrópolis)
e a primeira usina hidroelétrica da América do Sul, e que
transformou esta cidade na Manchester mineira.
O fazendeiro e industrial visionário Mariano Procópio Ferreira
Lage fundou a Companhia União & Indústria. Registre-se que
religião nunca entrou em suas cogitações, pois Mariano Procópio
estava interessado apenas na qualificação profissional dos que
viriam. Vale lembrar que a mão de obra era escassa no Brasil, ainda
fortemente escravagista naquela década do século 19. Ele
construiu, às suas expensas, a Estrada União Indústria, ainda
existente em sua totalidade, ligando Juiz de Fora (então, Paraibuna)
a Petrópolis, estando porém hoje interrompida pela CONCER, que
ergueu um posto de pedágio bem no encontro dela com a BR-040,
estrada da qual comprou o uso. Os primeiros alemães que chegaram
destinavam-se às oficinas da Companhia; o visionário também
cuidava de suas propriedades, ainda que a história futura bem próxima
tenha mostrado que ele não era tão bom administrador.
O primeiro embarque aconteceu na barca Teel, que saiu da Alemanha
em 21 de abril de 1858, com 232 colonos (116 homens e 116 mulheres;
do total, 145 protestantes e 87 católicos ) para a Companhia União
e Indústria, tendo chegado ao Rio em 24 de maio. O segundo
desembarque aconteceu em 25 de junho de 1858, também no Rio, com a
barca Rhein: 182 colonos de ambos os sexos. O terceiro desembarque
no Rio ocorreu em 25 de julho de 1858, trazendo 285 colonos na barca
Gundela. O quarto, em 29 de julho de 1858, trouxe 249 imigrantes,
pela barca Gessner. O quinto e último foi pela barca Osnabrück,
que chegou em 3 de agosto de 1858, com 215 colonos.
De toda forma, registre-se que: Theel: 232 pessoas - 42 famílias
- 2 solteiros Rhein: 182 pessoas - 32 famílias - 24 solteiros
Gundela: 285 pessoas - 66 famílias - 12 solteiros Gessner: 249
pessoas - 43 famílias - 13 solteiros Osnarbrück: 215 pessoas - 42
familias - 11 solteiros
Do total: 635 católicos e 407 protestantes.
Esses alemães vieram à vontade, quanto a religião, o que criou
um (hoje) divertido problema: onde enterrar os mortos não católicos,
num país católico excludente? Foram doadas terras para dois cemitérios
católico-protestantes, um atrás da Igreja da Glória, dos padres
redentoristas, enorme, que foi dividido por um muro baixo, para que
cada um enterrasse seus mortos em seu campo sagrado e não sagrado.
O outro, no bairro de São Pedro, pequenino, teve a mesma disposição
e função. A Igreja Luterana de Juiz de Fora tem os registros de óbitos
e casamentos desde a imigração; o de nascimentos, lamentavelmente,
foi queimado por uma imbecil secretária, porque estava com cupins
(levou-o para o quintal, jogou álcool e botou fogo; os cupins também
lhe estavam na cabeça).
A Igreja Metodista também possui um acervo razoável de memória,
porque muitos protestantes procuravam-na, já que não havia pastor
luterano por aqui. Por fim, a Igreja da Glória possui bons
arquivos, também, quanto aos que vieram católicos. Acho que o
assunto merece uma boa investigação, pois, ainda que sem excludência,
os alemães ocupam, ainda hoje, os bairros da Borboleta e de São
Pedro, predominantemente (sem exclusão, porque os casamentos aqui
aconteceram de todos com todos).
Estas são as
regiões de origem dos que emigraram para Juiz de Fora (passível de
erros):
Baden,
147
Baviera,
26
Brunswick,
12
Dinamarca, 1
Franckfort, 15
Hamburgo, 13
Hannover, 22
Grão Ducado de Hessen,
335 pessoas
Hessen-Eleitoral, 20
Holstein, 155
Luxemburgo, 4
Meclemburgo, 10
Nassau, 15
Prússia, 147
Saxônia, 9
Saxônia-Weimar, 19
Schleswig, 26
Tirol (Áustria), 227
Würtenberg, 22
Nascidos no mar, 7
Total: 1170
Mortos durante as
viagens, 7
Desertor durante a
viagem, 1
Chegados: 1162
Veja Também: Sobrenomes
das Famílias Alemãs Emigradas para Juiz de Fora.
Fontes:
1) Luiz José Stehling, JUIZ DE
FORA, A COMPANHIA UNIÃO E INDÚSTRIA E OS ALEMÃES, 1979, edição da
Prefeitura de Juiz de Fora, FUNALFA.
2) Paulino de Oliveira,
HISTÓRIA DE JUIZ DE FORA, 2a. edição, 1966 (creio que seja edição do autor,
porque só consta a gráfica: Gráfica Comércio e Indústria Ltda., Juiz de
Fora).
3) Jair Lessa, JUIZ DE FORA E
SEUS PIONEIROS (DO CAMINHO NOVO À PROCLAMAÇÃO) - Ed. UFJF e FUNALFA,
1985.
4) Oswaldo R. Cabral, HISTÓRIA
DE SANTA CATARINA, 2a. edição, UFSC, 1970).
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