O Estado do Amazonas



História

O nome Amazonas foi dado originalmente ao rio que banha o Estado pelo capitão espanhol Francisco Orelhana. O navegador o percorreu em 1541. Em certa altura encontrou uma tribo de índias guerreiras, com a qual lutou, associando-as às amazonas, mulheres cavaleiras e guerreiras. Por isso, deu-lhes o mesmo nome, depois transposto ao Estado. Na língua indígena, amazonas vem da palavra amassunu, que quer dizer "ruído de águas", ou "água que retumba".

Pelo Tratado de Tordesilhas, assinado entre Espanha e Portugal em 1494, a região amazônica pertencia à Espanha. Desde o início do século XVII, no entanto, a área passou a ser alvo de incursões portuguesas.

Deve-se ao espanhol Francisco de Orelhana o descobrimento da região formada atualmente pelos Estados do Amazonas e Pará. A descrição da viagem coube a Gaspar de Carvajal, que o faria todavia muito resumidamente, apontando apenas os detalhes mais dignos de atrair a atenção da coroa espanhola. Foi durante a viagem, mais ou menos na região do rio Nhamundá, que os espanhóis se bateram com as pretensas amazonas guerreiras, afinal de contas algumas, poucas mulheres combatentes, descritas sem as fantasias que os pósteros lhes adicionaram, tais como as do tipo que correm livros e artigos de jornais, asseverando que elas amputavam o seio direito para melhor disparar a flecha, montavam a cavalo (não havia este animal na Amazônia, à época: 1541-42).

Depois dessa aventura, a região ficou abandonada e esquecida até que os frades (leigos) Domingo de Brieba e André Toledo, empreendendo nova descida do rio Amazonas (1637) alcançassem Belém do Pará, despertando a ousadia de outros capitães portugueses interessados em apanhar escravos e expandir os limites portugueses. Pedro Teixeira, um dos maiores matadores de índios daqueles idos, assumiu a direção da empreitada depois que a Câmara Municipal de Belém do Pará manifestou-se contra a saída dos soldados. Pedro Teixeira viaja no Cametá no dia 26 de outubro de 1637 com destino aos confins da Amazônia, arrastando mais de 2.000 índios, tomando posse da região de Paianino a 16 de agosto de 1639. Ficava por esse modo justificada a expedição da carta-régia que criara a Capitania do Cabo do Norte, em 1637, por Felipe IV da Espanha.

Não bastaria todo o gasto da expedição para salvar a Amazônia daquele tempo do abandono, principalmente o espaço físico enorme que ia da foz do rio Amazonas à província de Quito e dos altiplanos guianenses à bacia do Mamoré-Guaporé. Todavia, o desconhecimento do rio Negro, que banha hoje Manaus, deve-se a Francisco de Orelhana, que lhe nomeou em 3 de junho de 1524, véspera da Santíssima Trindade.

A Ocupação

Somente a 22 de junho de 1657, partia de São Luiz do Maranhão uma tropa de resgate comandada pelo cabo Bento (Benito) Maciel Parente, com rumo orientado para o sertão amazonense. Seguiam a expedição dois religiosos; os padres Francisco Veloso e Manuel Pires, pois nenhuma tropa armada poderia penetrar no mato à caça de índios sem estar devidamente acompanhada de missionários. O trabalho destes era verificar a santidade da guerra desencadeada contra o gentio, chamada "bella justa". O orador sacro padre Antônio Vieira pregou à partida dessa bandeira. Foi, portanto, a tropa de resgate a primeira a fixar-se, pelo menos durante algum tempo, na área hoje abrangida pelo atual município de Manaus. Assentado arraial na boca do rio Tarumã foi ali fincada a cruz (Cruz do Tarumã), tomada a posse e rezada a missa convencional. Essa tropa regressou ao Pará tangendo à frente grosso rebanho humano, produtos de caçadas sinistras pelos matagais.

Novamente deixada ao abandono a região no que tange ao processo de colonização, apenas era visitada pelos apanhadores de escravos índios. Em 1658 outra expedição vai fixar-se no local da primeira, na boca do Tarumã. A fixação definitiva e os primeiros processos de colonização e cultura só aparecem definitivamente com a criação do forte, em 1669, construído segundo as diligencias da época, por troca de vantagens econômico-políticas, pelo Capitão Francisco da Motas Falcão e seu filho Manuel da Mota Siqueira. Forte de pequena estrutura org6anica, equipado com duas peças de bronze e duas de ferro, respectivamente de calibres um e três, possuía a forma quadrangular e sem fosso. Este forte desempenhou placidamente a sua função durante 114 anos. foi seu primeiro comandante o capitão Angélico de Barros. Um incêndio provocado por fogos de artifício destruiu-o completamente, pois era feito de taipa socada, em junho de 1874, na época dos festejos juninos.

A formação da população amazonense só seria possível depois da criação do forte dedicado à Santíssima Trindade, quando se estabelecessem os mitimais, uma forma de estratégia social inventada pelos Incas do Peru e posta em prática pelos espanhóis. Os portugueses adotaram o mesmo sistema, a fim de evitar que humanidades inteira, ocupando uma pequena aldeia, chegassem à sublevação e a desordem. Desta forma, aos primitivos, índios Tarumã ocupantes, juntaram elementos de outras tribos: Baré, Pacé, Manau, Aruaques descidos do alto rio Negro, Mariquenas, etc., e com esse amálgama foi construído o primeiro núcleo cosmopolita que veio a chamar-se aldeia de São José do Rio Negro, quando da criação e instituição da Capitania de São José do Rio Negro.

A Capitania

Com a separação do Brasil em dois governos administrativos por Filipe IV da Espanha, a parte norte, representada pelo governo do Maranhão (incluindo os atuais Estados do Pará e Amazonas), com sede em São Luís, ficou destacada do governo do Brasil. Depois desse golpe veio a criação da Capitania do Cabo Norte, tornada realidade pela carta-régia expedida em 1637 e cujo governo fora dado a Bento Maciel Parente. O sentimento de distância, que preocupava aos governantes, não impediria que lentamente fosse ocupada a região com a implantação dos núcleos urbanos. Daí que a instalação de mais fortalezas se seguisse numa ordem quase contínua: São José de Marabitanas, em 1762, no rio Negro; São Francisco Xavier de Tabatinga, em 1766 o forte de registro e em 1770 o forte real que caiu em ruínas até os nossos dias; Forte de São Joaquim do Rio Branco, em 1775, levantado por Felipe Sturn; Santo Antônio do Iça em 1754; Castelo, em Barcelos, capital da Capitania em 1755; e em 1776 é fundado o forte Príncipe da Beira. Esse círculo de defesas militares nas linhas com países estrangeiros demonstra a preocupação do governo em defender e consolidar o espaço físico conquistado.

A criação da Capitania de São José do Rio Negro, assegurada pela carta-régia de 3 de março de 1755, sob a influência política e prestígio de Francisco Xavier de Mendonça Furtado, primeiramente governador do Pará, mais tarde na qualidade de Comissário de Limites e Demarcações, trouxe para a Amazônia benefícios sem conta em todas as áreas: administrativa, econômica, financeira, cultural, mas principalmente como criação de núcleos ativos, considerando-se a enormidade de população indígena entrada na mestiçagem. A dois homens de pulso e de visão deve o Amazonas daquele tempo a sua tentativa de expansão sócio-econômica; a Mendonça Furtado como criador e incentivador dos novos núcleos e a Manuel da Gama Lobo D'Almada, governador da Capitania, partilhando da implantação de serviços administrativos e de indústrias (o gado do hoje Território Federal de Roraima) que vieram socorrer a situação de miséria do homem amazônico. Deve-se a Mendonça Furtado a fundação da Vila de Mariúra (Barcelos), criada a 6 de maio de 1758; Borba, criada em 1756; e outras a seguir. A capital da Capitania ficou sediada em Barcelos (Mariuá d'Almada), até que Manuel da Gama Lobo D'Almada, já na governança da Capitania de 1786 a 1799, transferisse a capital para o lugar da Barra, atualmente Manaus.

A Comarca e a Independência

A Independência do Brasil não trouxe logo reais benefícios ao setentrião. A Comarca do Amazonas, subordinada ao Grão-Pará, teve a sua hegemonia política prejudicada pela execução do Código de Processo Penal, uma história muito comprida que envolve a participação da Igreja, da milícia e dos cidadãos de Manaus. Quando Dom Pedro I proclamou a independência do Brasil, as unidades federadas denominadas Províncias mantiveram seus limites internos e suas prerrogativas de autonomia. O atual Estado do Amazonas era simples Comarca da Província do Grão-Pará, que então se denominava Capitania do Grão-Pará. O governo central solicitou a esses núcleos que mandassem representantes à Corte. A correspondência enviada do Amazonas foi toda retida em Belém do Pará e por isso perdemos a oportunidade de alcançar a hegemonia sonhada. Continuou a Comarca do Alto Amazonas a depender da Província do Pará. Os amazonenses não aceitaram sem protesto a nova situação, que era humilhante. Uma revolta chefiada pelos patriotas sacerdotes Inácio Guilherme da Costa, Joaquim de Santa Luzia e frei José dos Santos Inocentes, a dos civis João da Silva Craveiro, coadjuvados pelo militar tenente Boa Ventura Ferreira Bentes promoveu a independência do Rio Negro, positivando o fato com o artilhamento ostensivo da região denominada Lajes, próxima ao encontro das águas Amazonas-rio Negro. Uma expedição enviada do Pará nos barcos Santa Cruz e Independência, comandada pelo tenente-coronel Domingos Simões da Cunha Baiana, forçou a passagem com avariar grossas na barca, Independências, atingida pela artilharia dirigida pessoalmente pelo padre Santa Luzia. Contudo a situação não se modificaria até 1850.

A Província

A humilhação sofrida pela comarca do Alto Amazonas não abateria os ânimos dos patriotas, que agora passaram a lutar pela autonomia dos patriotas, que passaram pela autonomia no Senado do Império. Nomes que ficaram inscritos na memória dos amazonenses - tais como Ângelo Custódio, ministro Honório Hermeto Carneiro Leão, Souza Franco, Paula Cândido, Miranda Ribeiro, João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha, João Enrique de Matos, João Inácio Roiz do Campo, Dom Romualdo, Marquês de Santa Cruz - se bateram contra as alegações formuladas, que eram de escassez de população e de carência de rendas públicas. Mas o projeto vingou e o primeiro presidente na nova Província, chamada de Amazonas, foi o ínclito João Batista de Figueiredo Tenreiro Aranha. Foi a Província constituída por Lei Imperial no. 1592, de 5 de setembro de 1850.

Com a instalação da nova província, em 1 de janeiro de 1852, a situação de atraso da antiga comarca do Alto Amazonas melhorou. Foi criada a Biblioteca Pública. O Primeiro jornal foi fundado em 5 de setembro, com o 1 número circulando a 3 de maio de 1851, e substituído pelo nome de "Estrela do Amazonas", do mesmo proprietário, o cidadão Manuel da Silva Ramos. depois destes, outros jornais apareceram: o "Amazonas", por exemplo, fundado pelos jornalistas Antônio da Cunha Mendes, jornal que seria, com o andar do tempo, o veículo dos atos oficiais e o pensamento expresso dos governos provinciais. Seria também a primeira casa editora do Amazonas, editando o romance marítimo "A Fragata Diana", do Almirante Paulino Von Hoonholtz, em 1877. O jornal como a Biblioteca Pública foram as bases do desenvolvimentos da cultura local, junto ao teatro e às escolas de caráter profissional. Tenreiro Aranha idealizou o Instituto de Educandos Artífices, que funcionou em Manaus durante muitos anos e formou técnicos em várias profissões. O seminário episcopal, por sua vez, ofereceria uma espécie de curso secundário até que fosse criado o Ginásio Amazonense Pedro II, antigo Liceu.

A província do Amazonas também ofereceu ao Brasil exemplos de interesse maior pela situação dos escravos africanos, partindo daqui as primeiras leis manumissivas, posto que realmente a escravatura na região não tivesse a expressão que teve no Maranhão, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, onde a agricultura sustentava a economia nacional. Não tivemos agricultura. A região sempre se favoreceu do sistema coletor primário e até hoje esse sistema vigora com sua componente - a troca, a permuta, a carência de numerário, de valor circulante.

Tanto as sociedades manumissivas encarregadas de alforriar escravos, como as sociedades de letras e artes, existentes no passado, e vivendo de sua própria constituição orgânica para o homem da Bacia Amazônia, em termos de cultura e de direitos humanos, que se refletiria no futuro. É inegável que foi durante a Província, isto é, em 1852 até 1889, que o entusiasmo pelo teatro floresceu, bem como pelas academias de artes e letras. Tivemos menos de cinco teatros antes da construção do moderno Teatro Amazonas, idealizado em 1881 e inaugurado em 1896. Grandes artistas internacionais se exibiram em teatros de Manaus, mesmo antes da construção do atual edifício, o que prova que havia necessidade de derivados sadios e uma evasão cultural digna de nota.

É na Província que começam a circular navios de grande cabotagem e as linhas internacionais para a Europa e a América do Norte, porque é também nesse período que a goma elástica possui maior procura, e vai enriquecer os cofres do Estado. O Amazonas viveu seus dias de esplendor afastado do Rio de Janeiro e de São Paulo, ligado à cultura européia. Desde os primeiros dias da Província que os filhos de famílias apossadas vão para a Europa Estudar, mesmo aqueles destinados à Igreja. Manaus povoa-se de construções magníficas, que vão substituindo as casinhas de taipa com telhados de palha. A Europa - Inglaterra, França, Portugal e outros países - fornece pontes de ferro, casas de ferro pré-fabricadas, fontes ornamentais, material elétrico, bondes, automóveis, movéis, vestidos, sapatos, tudo quanto Paris e Londres anunciavam como novidades. Os primeiros cinemas "Hervet" foram montados em Manaus e o povo pôde assistir, com diferença de dias, Santos Dumont sobrevoar Paris ou cenas da guerra russo-japonesa.

A par de toda essa criatividade e expansão material-cultural, a defesa e garantia do Estado passa a constituir uma preocupação do governo central, que instala em Manaus uma Capitania dos Portos e um Comando das Armas, uma flotilha de guerra e outros elementos de destaque na segurança nacional. O Amazonas participou da Campanha contra o Paraguai, enviando seus filhos - os Voluntários da Pátria, e nomes como Luís Antony ou Benjamim Silva, para citar como exemplo, deram provas de bravuras e amor à Pátria, morrendo na luta e recebendo a consagração universal do País. O Amazonas também compareceu com um Batalhão da Polícia Militar à Campanha de Canudos e comandados pelo valoroso Coronel Candido Mariano. Esta Polícia Militar foi a primeira a entrar no arraial de Canudos, mas lá ficaram enterrados alguns dos briosos componentes. A bandeira nacional transportada pelo 1 Batalhão de Polícia conserva-se no quartel do mesmo, e podem-se ver os dilaceramentos provocados pela metralha e as manchas de sangue.

Não poderíamos deixar de enumerar os grandes surtos culturais dos últimos dias da província nos legaram e que foram malbaratados: o Museu Botânico do Amazonas, que teve como diretor o eminente Dr. João Barbosa Rodrigues; a Sociedade Geografia do Amazonas, dirigida pelo coronel Pimenta Bueno, além daquelas outras de quem citamos, a Sociedade de Música de Letras e das Artes, de Danças, etc. Homens notáveis nas letras e nas artes o Amazonas naquele tempo produziu: Paulino de Brito, Torquato Tapajós, poetas; Estelita Tapajós, filosofia; Lima Bacuri e Aprígio Martins de Meneses, historiadores; Pedro Luís Sympson, tupinólogo; Bertino de Miranda Lima, pesquisador social; e cientista, botânico, prosadores, musicistas, etc. É ainda na Província que floresce o jornalismo, tivemos jornais e revistas em todas as línguas, mas principalmente em inglês, espanhol, hebraico, árabe, francês, italiano e alemão.

Durante dias do Império até o final da Província, o Amazonas recebeu a visita de vários cientistas/exploradores: Carlos Felipe Von Martius, Von Spix, Chandless, Sprice, Agassis, Wallace, Batés, que enriqueceram o conhecimento universal com a zoologia, a fitologia, o folclore, a linguística amazonense, sem aludir a outros, como Júlio Verne, que nunca tendo vindo ao amazonas, escreveu o romance amazônico "A Jangada"; ou Paul Marcoy, Oliver Ordinaire, Henri Coudreau, etc.

O Estado do Amazonas

Governava a Província do Amazonas em 1889, o Dr. Manuel Francisco Machado quando foi proclamada a República no Brasil, notícia chegada de Manaus, no dia 21 do mesmo ano. Imediatamente o Clube Republicano, que hostilizava tanto ao governo Machado com o Império, tomou conta da situação. Formou uma junta deliberativa, constituída do Coronel Pereira do Lago, pelo Exército; Capitão de Fragata Lopes da Cruz; Dr. Emílio Moreira (do partido dos Moreiras) como presidente da Câmara Municipal; Coronel da Guarda Nacional Joaquim Sarmento, presidente da Assembléia Legislativa Provincial; Tomás Sympson, pelos conservadores; Cavalcante de Albuquerque, inspetor da alfândega de Manaus, e Dr. Domingos Teófilo de Carvalho Leal pelo Partido Republicano, este o mais exaltado e o mais feroz e renitente dos oposicionistas. Essa guarda, a queimada dos republicanos da velha guarda consideravam-na oportunista demais. Foram os populares que a rejeitaram - naturalmente populares inflamados pelo verbo de algum orador oposicionistas. O povo estava postado na praça Dom Pedro II, em frente do Quartel General (atual 29ª Circunscrição de Recrutamento) e diante da sua explosão de cólera, foi proposto novo governo provisório, a ser escolhido à noite no Éden Teatro. O governo provisório ficou constituído dos Drs. Domingos Teófilo de Carvalho Leal; Capitão de Fragata Manuel Lopes da Cruz e Coronel do Exército Antônio Florêncio Pereira Lago.

Em 1890 o governo provisório do Brasil nomeia o Tenente Augusto Ximeno Vileroy para governar o Amazonas. Este convida para oficial de gabinete o Tenente Dr. Eduardo Gonçalves Ribeiro, cognominado "O Pensador" em virtude de possuir no Maranhão um jornal deste título. Eduardo Ribeiro acumulava as funções de diretor das obras públicas, quando teve oportunidade de começar a executar planos atrevidos de urbanização de Manaus. Ximeno Villeroy se indispôs logo com os políticos de Manaus e resolveu abandonar o cargo ao seu oficial de gabinete, Dr. Eduardo Gonçalves Ribeiro, em 2 de novembro de 1890, tendo de enfrentar a ganância da politicalha, que esperava agir em benefício próprio, tomando conta do erário público. É colocado fora do governo por uma revolução armada, chefiada pelo Capitão de Fragata Borges Machado, novo titular da flotilha de guerra. Constitucionalizado o Estado, foi eleito governador e assumiu a 23 de julho de 1892, governando até 23 de julho de 1896. No seu governo, que foi breve mas operoso, acabou a construção do Teatro Amazonas e do Reservatório do Mocó, mandou construir as pontes de ferro e dotou Manaus de sistemas modernos de viação (bondes elétricos), luz e água com esgotos ampliados.

Da euforia ao retrocesso

Daí por diante o Estado do Amazonas, com as suas rendas equilibradas em função do "estouro" da borracha, viveria pacatamente até 1909, quando tem início a crescente desvalorização da goma elástica. A situação tornou-se trágica para uma população acostumada a viver à sombra da Europa, e o funcionalismo público passou a ser caloteado. Em 1910 Manaus é bombardeada estupidamente pela flotilha de guerra, por causa ainda da nefanda politicagem do Sr. Nilo Peçanha. Os governos apenas parasitam. Vem a guerra européia e a navegação é suspensa para o Amazonas, inclusive a de navios nacionais. As casas comerciais de súditos alemães e de aliados destes são colocadas na lista negra e a miséria cresce. Homens ricos - como Waldenor Sholz, comerciante e cônsul da Áustria em Manaus, proprietário de cavalos árabes e ingleses de corrida - acabam na miséria. O palácio dele é vendido ao governo de Alcântara Bacelar (1917-18).

A situação se prolonga nesse ritmo até 1924, quando governava o Amazonas o desembargador César Augusto do Rego Monteiro e seus familiares e políticos acostumados a meter a mão nos cofres públicos. A conjuntura é de miséria total e de deboche, com funcionários públicos morrendo à míngua, enquanto o governador e seus admiradores davam estrondosos e rico baile à Segundo Império, a fim de associar-se às comemorações do Centenário da Independência do Brasil em 1922. Mas em 23 de julho de 1924, elementos do 27 BC, comandados pelo tenente Magalhães Barata, atacam o Quartel da Polícia tomando conta do poder. É colocado à testa do governo o Tenente Alfredo Augusto Ribeiro Júnior, que institui o Tributo de Redenção a fim de arrecadar o dinheiro desviado pelos políticos. Não houve sangue, ferimentos e nem desordens. Um governo de confiança, de paz, de tranqüilidade, de bem-estar familiar e social. Tomadas as decisões para resolver a situação, o governo central envia a Manaus um contingente solidamente armado sob a direção do general Mena Barreto. Esse oficial teve oportunidade de conhecer de perto a situação de penúria do Estado e, mesmo presos os cabeças da revolução, manteve dignamente a sua reputação de homem experimentado e de soldado prudente. Cessada a conjuntura, o Estado voltou à normalidade e à constitucionalidade, mas não pôde evitar que os velhos políticos tornassem aos vícios de saqueadores de erário público e de cobradores de vencimentos atrasados dos pobres funcionários traídos. Esses elementos proliferaram até bem próximo aos nossos dias, mas não é a história que vá prolongar-se aqui com a notícia de suas atividades nocivas.

Em 1930 os políticos Getúlio Vargas e João Pessoa pretenderam torcer os destinos da política nacional. O Dr. João Pessoa é assassinado em Pernambuco e esse argumento só serviu para engrossar a fileira dos descontentes e dos animosos. O sacrifício do Dr. João Pessoa tem repercussão em Manaus, onde a Aliança Libertadora possuía já um núcleo bem avançado e grande número de adeptos. Os alunos do Ginásio Amazonense Pedro II, filiados ao grupo getulino, fazem um comício na praça da Saudade, comício de protesto que é dissolvido a patada de cavalos. Governava o Amazonas o Dr. Dorval Pires Porto, um cidadão que só tinha contra ele, pertencer à política tradicional. No dia 12 de agosto de 1930 os alunos do Ginásio se concertaram no estabelecimento, resolvidos a tomar represália, fazendo o enterro do Chefe de Polícia, Dr. Marins Palhano. A Polícia Militar e Civil atacam o estabelecimento, onde no ato estavam mulheres e crianças, e procuram invadi-lo. Os estudantes que pertenciam à Escola de Instrução Militar 184, podiam dispor para os exércitos de marcha e de tiro no "stand" do 27 BC, de armas e balas reais. Não houve dúvida quanto ao que se deveria fazer para impedir a entrada da política: arrombou-se a arrecadação e as armas, bem dirigidas nas mãos de quem as sabia manejar, mantiveram os assaltantes bem longe do Ginásio. O tiroteio durou umas duas a três horas, até que a situação se normalizou com a intervenção do Tenente do Exército Plínio Abreu e do Professor Álvaro Maia.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores

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