O capitão-mór Guilherme Pompêu de Almeida era natural de S. Paulo, filho de Pedro Taques, natural de Setúbal, e de D. Anna Proença natural de S. Paulo, casado em 1639 com D. Maria de Lima Pedrôso, filha do destemido paulista denominado o terror dos índios, João Pedrôso de Moraes e de D. Maria de Lima.
Dêlle escreveu Pedro Taques de Almeida Paes Leme, na sua Nobiliarchia Paulistana:
"Viveu abastado no território de S. Paulo, sendo un dos primeiros cavalleiros que na própria terra desfrutava o maior respeito. Mudando de domicilio, retirou-se para a villa de Parnahyba. Esta mesma prudente resolução seguiram outros parentes.
"Foi muito zeloso do bem commum e das utilidades do serviço do monarcha; e tanto que as Majestades dom João IV, dom Affonso VI e o príncipe regente dom Pedro o honraram com cartas firmadas pelo real punho, não só quando vieram enviados a S. Paulo os administradores das minas dom Rodrigo de Castello Branco e Jorge Soares de Macedo em 1680, mas quando em 1677 veio o governador dom Manoel Lobo; e é digna de memória a que recebeu em 1682, recomendando-lhe desse ajuda e favor a frei Pedro de Sousa, que vinha a examinar as pedras de prata da serra de Biraçoyaba no território da villa de Sorocaba.
"Foi Guilherme Pompeu de Almeida capitão-mór da vila de Parnaíba pelo príncipe regente dom Pedro II; viveu abundante de cabedais com grande tratamento e opulência em sua casa. A copa de prata que possuía excedia de 40 arrobas, porque os antigos paulistas costumavam penetrar os vastíssimos sertões do rio Paraguai e, atravessando suas serras, conquistando os bárbaros índios seus habitantes, chegavam ao reino do Perú e às minas do Potosí, e se aproveitavam da riqueza de suas minas de prata, de que enobreceram suas casas com copa de muitas arrobas, de cuja grandeza ao presente tempo nada existe pela ambição de mineradores e governadores que, no decurso de 63 anos, atraíram a si essa grandeza, porque nenhum se recolheu para o reino que não levasse boas arrobas.
"Fundou no território da vila de Parnaíba a Capella de N. Senhora da Conceição no Voturuna, e a dotou com liberal mão, constituindo-lhe um copioso patrimônio em dinheiro amoedado, escravos oficiais de vários offícios, e todos com rendas para o exercício de suas ocupações. Adornou a capella com retábulo de talha toda dourada e lhe deu ornamentos ricos para as festividades e outros de menos custo para semanário com castiçais de prata. De tudo foi lavrada escritura em Parnahyba em 1687, (13 de fevereiro) determinando que na sua descendência se conservasse a administração da dita capella, sendo o primeiro administrador o reverendíssimo doutor padre Guilherme e, por morte deste, Antônio de Godoy Morêira, seu genro, a quem sucederia sua descendência. Instituiu por sua alma duas missas cada mês pelo patrimônio da dita capella, de que dariam conta os administradores della".
Falleceu o capitão Guilherme em Parnahyba, a 12 de novembro de 1691, onde jaz sepultado na capella mór da matriz. Do seu testamento constam diversos legados á matriz e á capella de Voturúna, dos quaes em seu lugar se dará conta.
Da sua immensa abastança restam apenas quatro castiçaes de prata, na capella do SS. Sacramento em Parnahyba, trazidos da arruinada e velha capella de Voturúna.