Padre Manuel Zeferino de Oliveira - homem de côr, natural de Santos, de paes abastados, a julgar pelas jóias e aderêços que conservava como lembrança de familia, valeram-lhe o appellido de Padre Araçá certas manchas esbranquiçadas quo tinha no rôsto, foi vigário de Araçariguama de 1856 a 1888.
Idolatrado dos seus parochianos, era a providência dos pobres e... dos vadios. Possuia grandes culturas de café, cereáes, cana de assúcar e algodão, com engênhos, prensas, moinhos, olarias, etc. Todo o producto da sua fazenda era, porém, distribuído pelos pobres que, em continua romaria, iam á sua casa prover-se de mantimentos e até de remédios.
Da sua abastança e espírito de caridade ainda póde dar testemunho o Sr. D. José Marcondes Homem de Mello, então vigário de São Roque, que o frequentava com assiduidade. Fallecêu em 1888, encontrando-se-lhe debaixo do leito o caixâo fúnebre e todo o necessário para o sepultamento.
Sem embargo da refórma introduzida pelo Sr. D. Antônio Joaquim de Mello, que obrigava a todos os clérigos o uso das vestes talares, costumava o Padre Zeferino trajar-se á secular, e assim compareceu certa vez no Santuário de Pirapóra, por occasião das solennidades que alli se celebram com grande aflluência de romeiros.
Contrariado, propôs o Cônego Valladão a um fazendeiro que então se achava presente, a acquisição de um escravo, encarecendo-lhe os dotes de intelligência e coração, posto tivesse o grande defeito de saber lêr e escrever. Estipuladas as condições de pagamento, si a peça agradasse, retirou-se o Cônego, dando entrada no salão ao seu collega e amigo vestido á secular.
Conhecido o engano, desfêz-se o fazendeiro em desculpas e explicaçöes, mâs o Padre Zeferino comprehendeu a dura lição e, desde então até morrer, nunca mais deixou a sua batina.