O Estado do Ceará



História

A história do Ceará tem início com a criação da "Capitania do Siará", doada em 1535 a Antonio Cardoso de Barros. Em 1603, uma expedição comandada pelo açoriano Pêro Coelho de Souza fundou na região, a colônia denominada Nova Luzitânia. Juntamente com o grupo, chegou também um rapaz de 17 anos, Martim Soares Moreno, considerado o verdadeiro fundador do Ceará. Conhecedor da língua e dos costumes indígenas, mantinha amizade fraternal com os nativos, o que lhe valeu fundamental apoio para a derrocada dos franceses e holandeses que também pretendiam colonizar a região. Em 1619, depois de muitas lutas contra invasores estrangeiros, naufrágios e prisões, Soares Moreno obteve uma carta régia que lhe dava o título de Senhor da Capitania do Ceará, lá se fixando por muitos anos. Seu romance com a índia Iracema foi imortalizado pelo escritor brasileiro José de Alencar, em seu livro intitulado "Iracema".

No Ceará, a ocupação se deu a partir de duas rotas distintas: uma pela costa litorânea, saindo de Pernambuco em direção ao Maranhão e Pará, e a outra pelo interior, vinda da Bahia e de Pernambuco, compreendendo a área que vai do médio São Francisco até o rio Parnaíba, nos limites do Piauí e Maranhão. O Sertão cearense foi ocupado através da pecuária extensiva. Seu principal agente - o vaqueiro - correu caatinga a dentro para formar um pequeno rebanho e estabelecer-se.

O Ceará fez parte do Estado do Maranhão e Grão-Pará em 1621. Foi ainda invadido duas vezes, em 1637 e 1649, pelos holandeses que ocupavam a região onde hoje se encontra o Estado de Pernambuco, mantendo-se a ele subordinado até conquistar sua autonomia, em 1799. O desenvolvimento da pecuária em Pernambuco e na Bahia levou criadores a ocuparem o interior do Ceará. As vilas foram se formando junto às grandes fazendas ou nos pontos de descanso das tropas vindas do sul.

A historiografia clássica já demonstrou que a economia pastoril colonial do Ceará significou a presença dominante de homens livres entre os vaqueiros e seus auxiliares, na sua maior parte indígenas. Daí a presença predominante da cultura indígena na nossa formação.

Com a entrada do algodão no circuito exportador (entre 1780 e 1820), as mudanças na estrutura social do sertão se aceleram. No Ceará, algodão e gado não se colocavam como atividades excludentes. Pelo contrário. Eles passam a ser o binômio determinante no nosso sertão.

Em 1824, o Ceará participou da Confederação do Equador, juntamente com os Estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.

O Estado começou a se desenvolver na segunda metade do século XIX, com a chegada da navegação a vapor, das estradas de ferro, da iluminação a gás e do telefone. Foi a primeira província brasileira a libertar os escravos, em 1884, e também uma das primeiras a aderir à República.

Na virada deste século, o espaço cearense estava já nitidamente circunscrito: sertão do gado e do algodão, Fortaleza litoral, entreposto comercial. Neste quase cem anos que se seguiram, o sentimento coletivo criou uma espécie de nação cearense, com civilização e cultura próprias, seus artistas e seus sábios, cujas obras no todo refletem a geografia física e social deste pedaço do Brasil.

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