O Estado de Tocantins



História

O extremo norte de Goiás foi desbravado por missionários católicos chefiados por Frei Cristovão de Lisboa, que em 1625 percorreram a área do rio Tocantins, fundando ali uma Missão religiosa. Nos dois séculos que se seguiram, a corrente de migração vinda do norte e nordeste continuou a ocupar parte da região. Pelo sul, vieram os bandeirantes, chefiados por Bartolomeu Bueno, que percorreram toda a região que hoje corresponde aos Estados de Goiás e Tocantins, ao longo do século XVIII. Na região existiam duas culturas diferentes: de um lado, a dos sulistas, originários de São Paulo, e, do outro, os nortistas, de origem nordestina.

As dificuldades de acesso à região sul do Estado, por parte dos habitantes do norte, os levaram a estabelecer vínculos comerciais mais fortes com os Estados do Maranhão e Pará, sedimentando cada vez mais as diferenças e criando o anseio separatista. Em setembro de 1821, houve um movimento que proclamou em Cavalcante, e posteriormente em Natividade, um governo autônomo da região norte do Estado. Cinqüenta e dois anos depois, foi proposta a criação da Província de Boa Vista do Tocantins, projeto não aceito pela maioria dos parlamentares do Império. No ano de 1956, o juiz de Direito da Comarca de Porto Nacional elaborou e divulgou um "MANIFESTO À NAÇÃO", assinado por numerosos nortenses, deflagrando um movimento nessa Comarca, que revigorava a idéia da criação de um novo Estado.

O Estado do Tocantins foi criado em 5 de outubro de 1988, com a promulgação da nova Constituição. Mas até receber o status de Estado, muitas lutas foram travadas pela independência da região do antigo norte do Estado de Goiás. A aprovação da emenda apresentada pelo então deputado federal Siqueira Campos à Assembléia Nacional Constituinte de 1988 coroou a reivindicação de muitas gerações de tocantinenses.

Tudo começou ainda no início do século passado. Precisamente no dia 15 de setembro de 1821, quando o desembargador Joaquim Theotônio Segurado, representante da Corte portuguesa na Comarca do Norte, rebelou-se contra o isolamento da região e proclamou o Governo Autônomo do Tocantins. Theotônio Segurado havia sido nomeado desembargador em 1809 por D. João VI e depois de prover a prosperidade da região, incentivando o transporte mercantil pelo Rio Tocantins até o mercado de Belém, revoltou-se contra a pesada carga de impostos cobrados da região sem que nela nada se investisse.

Liderando a rebelião dos separatistas, Theotônio instalou o seu governo provisório inicialmente em Cavalcante, transferindo-se depois para São João da Palma (hoje Paranã) e para Natividade. O movimento separatista se esvaziou com a independência do País.

A luta recente pela emancipação foi personificada na figura de Siqueira Campos que, antes de conseguir a vitória na Constituinte, já havia apresentado a proposta diversas vezes ao longo de 18 anos em que atuara como deputado em Brasília. Por duas vezes ele conseguiu a aprovação do Congresso Nacional, mas os projetos foram frustrados pelos vetos dos presidentes João Figueiredo e José Sarney. Enquanto Siqueira Campos fazia gestões na esfera federal, a luta pela autonomia da região continuava com a mobilização da população pelas lideranças de Tocantinópolis, Porto Nacional, Natividade e outras localidades.

Em l972, foi apresentada pelo Presidente da Comissão da Amazônia, da Câmara dos Deputados, o Projeto de Redivisão da Amazônia Legal, do qual constava a criação do Estado de Tocantins, aprovada em 27 de julho de l988, pela Comissão de Sistematização e pelo Plenário da Assembléia Nacional Constituinte. Em 1975, o então deputado Siqueira Campos debate a proposta de criação de 12 novos Estados na Amazônia Legal, inclusive o Tocantins

Quarenta dias após a criação, em 15 de novembro de 1988, realizaram-se as primeiras eleições do Estado do Tocantins. Seu primeiro Governador, José Wilson Siqueira Campos, e vice-governador o juiz federal aposentado Darcy Coelho, tomaram posse em 1º de janeiro de l989, na cidade de Miracema do Tocantins, escolhida como capital provisória do novo Estado.

A primeira grande batalha política dentro do novo Estado foi em torno da cidade que abrigaria a capital. O embate foi duro e teve momentos de grande passionalismo. Araguaína, Gurupi, Guaraí, Porto Nacional – cada cidade achava-se com direito de ostentar aquela condição. Miracema do Norte foi escolhida pelo então presidente da República, José Sarney, como capital provisória, enquanto se discutia onde ficaria a capital definitiva.

Em julho de 1889, a Assembléia Legislativa do Estado aprovou projeto de lei do Executivo que criava a cidade de Palmas, a ser construída no centro geográfico do Estado, para ser a capital definitiva do Tocantins. O nome Palmas foi escolhido por Siqueira Campos como homenagem à Comarca de Palmas, onde nasceu, em 1821, o movimento emancipacionista do Tocantins.

Fontes: Sites, oficial do estado, e do ministério das Relações exteriores.

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